O que pensar dos influenciadores de investimentos?

Publicado por trademachine em setembro 25, 2020

Provavelmente você já conhece o modelo clássico de pirâmide: uma empresa contrata alguém influente para promover o seu produto e conquistar mais clientes.

Dessa maneira, o esquema vai ganhando volume, vendendo sonhos tentadores e promessas de enriquecimento fácil e sem esforço.

O primeiro “leigo” que essas empresas enganam são artistas e influenciadores que não são experts em investimentos.

Assim como as vítimas, são convencidos de que é um ótimo negócio, que tudo é legal e ainda ganham um dinheiro para fazer a publicidade. 

Um dos exemplos mais marcantes aconteceu com o comediante Dedé Santana e a cantora Simony (ex-Balão Mágico), que foram usados como garotos-propaganda pela Unick Forex. 

Recentemente outro caso semelhante veio à tona: a cantora de forró Juliana Caetano, vocalista da banda Bonde do Forró, divulgou para seus 4 milhões de seguidores um robô trader que promete ganhos de 4% a 10% ao dia. Obviamente, tudo isso não passa de fantasia.

A bola da vez dos investimentos

Assim como no esquema de pirâmide, o mercado formal de investimentos também vem assistindo algo semelhante.

A cada dia que passa cresce o número de perfis nas redes sociais, com milhares de seguidores, que compartilham dicas de ações — que seriam a “bola da vez” — e mostrando fotos de trades vencedores. 

Em comum, os anúncios contam com garotos-propagandas em lugares lindos, com relógios e joias caras etc.

Nessa linha, impressiona também a semelhança de uma influenciadora fitness que foi “cancelada” por banalizar a pandemia e meses depois voltar à ativa declarando que virou trader e que “nasceu pra isso”.

Certamente esse cenário de migração rápida para a Bolsa, com novos entrantes menos experientes, se tornou um terreno fértil para aproveitadores que vendem cursos e fórmulas rápidas para o sucesso.

Mas também forma um ambiente propício para bolhas, como bem observou o CEO da XP Investimentos, Guilherme Benchimol. 

A criação de Bolhas e o Efeito Manada

A questão é que bolhas podem ser muito lucrativas para quem consegue antecipar o que está acontecendo, que raramente fazem parte do grupo de novatos.

A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) também vem alertando para uma ameaça crescente que os influenciadores podem representar para o bom funcionamento do mercado.

Segundo a autarquia, hoje o monitoramento dos meios virtuais na formação da opinião do investidor ganha cada vez mais relevância e monitoramento. 

Um influenciador focado no mercado financeiro e com muitos seguidores pode inflar o movimento do preço de alguma ação para obter ganhos, formando uma espécie de “bolha” para chamar de sua.

O maior risco está presente nos papéis de menor liquidez, com baixo volume de negociação diário.

Um caso que ficou famoso foi o “bolha do alicate”, envolvendo a fabricante de alicates Mundial, que entre 2010 e 2011 chegou a superar os volumes diários de negociação da Vale e Petrobras com o “impulsionamento” de um assessor de investimentos bastante influente.

Isso em um mundo onde o primeiro iPhone completava apenas seu terceiro ano de vida. 

Atualmente, o efeito manada é muito mais potente e torna esse tipo de atuação ainda mais perigosa.

Atuação do regulador

No Brasil, felizmente temos um regulador atuante que sempre deixa claro que sua prioridade é defender o investidor comum, elo fraco da cadeia e quem acaba pagando a conta.

Isso é fundamental para retirar do mercado os oportunistas, além de fortalecer aqueles que buscam fazem um trabalho sério. 

É fato também que regulação é sempre um obstáculo para a inovação, mas a CVM tem uma postura aberta e propositiva. Um bom exemplo é a criação do mecanismo do sandbox regulatório.

Com o mercado de investimentos e a bolsa tão aquecidos, aumentam as chances de pessoas comuns serem utilizadas como massa de manobra e os influenciadores são ferramenta importante para todos os esquemas, seja no mercado formal ou no informal. 

Porém, no mercado formal, o órgão regulador criou os meios para reduzir essa possibilidade. Para evitar entrar em enrascadas, procure seguir aquelas pessoas ou instituições que se preocupam com as regras do jogo. 

É fácil checar isso. Veja se os influenciadores que você segue estão credenciados na Associação dos Analistas e Profissionais de Investimento do Mercado de Capitais (APIMEC).

O órgão disponibiliza uma lista de profissionais e empresas credenciadas. Isso reduz seu risco e ajuda a fortalecer o ambiente de investimentos.

“O que pensar dos influenciadores de investimentos?” foi escrito originalmente com o título de “Anúncios semelhantes a pirâmide ganham força e preocupam mercado de investimentos” por Rafael Marchesano, CEO da TradeMachine.

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